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Há algum problema com as bandas nacionais?

09
ago
CAMISA

Por Fausto Mucin

Quando inauguramos, em 1996, tínhamos uma banda, eu, meu sócio André Luiz e nosso amigo e ex-sócio Fabio, andávamos pela Galeria do Rock e só achávamos Sepultura e Angra, de vez  em quando um Ratos de Porão e um Viper, e pronto. Onde estavam os CDs do monte de bandas que víamos em alguns shows underground? E os CDs das bandas tradicionais como Stress, Dorsal Atlântica, etc…? Estes, e outros, simplesmente não achávamos…  “Ah, se quiser, anota aí o nome, vou ver se consigo, passa aí semana que vem…” e, claro que o cara nem ia atrás dos CDs, voltávamos lá como uns bobos acreditando que o cara procuraria. As exceções como a Baratos Afins, sempre honradas como exceções, eram um oásis e, mas nem tudo tinha lá, ninguém tem tudo, nunca, e esta é uma das graças em se colecionar algo… Então abrimos a loja, entre outros objetivos, para montar também um acervo de bandas nacionais independentes, para o público com o nosso perfil.

Logo nas primeiras semanas colocamos dois cartazes, um deles “temos mais de 30 Zappa”, e outro “Trabalhamos com várias bandas nacionais”, a então insípida concorrência riu, e riu alto, entrando na loja e comentando “hahaha, vocês vieram pra se estabelecer vendendo Zappa e banda nacional, hahaha”, só este fato isolado nos deu mais força ainda para buscarmos nossos objetivos, se eles estavam rindo, então estávamos no caminho certo…

Temos vários pontos fortes na montagem de nosso acervo, o nome da loja é Die Hard – Classic Rock and Heavy Metal Collectibles, e é o que temos, e nos esforçamos pra ter, independente da origem da banda ou do produto, tem qualidade: entra pro acervo, simples. Sempre novos e originais, sempre com garantia e segurança, e com o serviço Die Hard (agilidade, segurança, compromisso, etc..) que não é mais que obrigação e não é o foco aqui. Também não é o foco aqui o preconceito que temos, como brasileiros, com os nossos artistas, isto vem desde a colonização, quando o que tinha qualidade era mesmo o importado, por não ter similar aqui, e depois, com o início da industrialização, quando os importados ainda tinham mais qualidade. Reza a lenda que os primeiros pregos brasileiros simplesmente não entravam em nenhuma madeira, eram moles demais, e essa ideia foi se alastrando também para nossos produtos culturais, incutido malandramente pelos colonizadores, e fomos virando também colonizados culturais, estes assuntos cabem em outras dissertações, acrescentei  estas poucas linhas  apenas para ilustração.

Obviamente não foi fácil, começamos a conhecer algumas bandas que entravam e deixavam os produtos conosco, e mostrávamos pros clientes interessados, que sempre conheciam outra banda, e assim foi. Músicos e seus fãs entravam, compravam um clássico, ou um CD de metal ou vertente e, às vezes, um nacional, e assim tem sido até hoje. 

Aos poucos, fomos ficando conhecidos como a loja que tinha um acervo legal e também algumas bandas nacionais legais. Fomos procurados pelos agentes da banda Angra no final dos anos 90 pra trazer a banda pra loja para uma tarde de autógrafos, até então trazíamos só os gringos, e esta tarde foi um sucesso, fila enorme durante horas… Quando abrimos o selo Die Hard Records, lançamos um projeto reunindo as maiores bandas da época, cada uma delas compôs uma música com exclusividade para uma letra composta por um escritor amigo, e lançamos o projeto William Shakespeare’s Hamlet, em parceria com profissionais da área de produção, o que propiciou a captação do áudio num dos melhores estúdios da época, lançamento que mudou os padrões de qualidade dos CDs produzidos aqui no Brasil, este projeto não só mostrou que os músicos eram, ao contrário do que se dizia, unidos, e todos solícitos e inspirados, depois disto lançamos muitas bandas boas, o que fazemos até hoje também, e trabalhamos com as melhores, temos todo o acervo, com exclusividades, destas estrelas: Aquiles Priester e Hangar, Kiko Loureiro, Korzus, entre outras, ultimamente vendemos muito e esgotamos a prensagem em tempo recorde a banda Maestrick, promessa de estouro internacional em breve, as bandas Woslom e Hibria estiveram entre os mais vendidos por semanas, e são só exemplos, claro…

Vendemos para o mundo todo, e todo dia vendemos bandas nacionais, conseguimos nosso objetivo, vender bandas boas independente da origem, dos músicos ou do produto, não somos xenófobos, obviamente, não gostamos apenas das bandas nacionais, apenas estamos procurando inseri-las no acervo apenas pela qualidade e originalidade do seu trabalho, e não por serem ou não nacionais, isto é e tem que ser apenas um detalhe. Abrimos espaço para a qualidade musical, para a liberdade do cliente, e um ponto para os músicos independentes que não encontram até hoje facilidade na distribuição de seu material. Como trabalhamos para colecionadores, o suporte físico de qualidade (o CD) é fundamental, os arquivos digitais, os plays em streaming e este assunto já chato de CD físico x música digital já foi falado aqui, não só por mim, mas por outras pessoas mais gabaritadas e sob todos os pontos de vista e, de novo, não é o caso neste texto, quando dissemos “abrir espaço” é para o produto físico mesmo,  o colecionável.

Quando entra um cliente perguntando se tem tal CD, seja de qual origem for, sempre colocamos nossa estrutura à disposição para pesquisar, esta é uma das deficiências que encontramos na concorrência naquela época, e a solucionamos, pesquisando de fato e respondendo ao cliente, deixando-o à vontade para ser apenas avisado ou para encomendar o produto e o reservar, outras deficiências como a pós-venda, o atendimento com o vendedor sem “bico” ou cara feia, a possibilidade de se ouvir o som antes de se definir pela compra, etc. também não vem ao caso neste texto, talvez numa outra oportunidade, mas que ilustra, ilustra.

Em tempo, quem riu naquela época, foi varrido pelo tempo, não tem nem graça rir deles hoje, pois não estão mais por aqui… Se você não ouvir aquela voz interior, não tratar o cliente como gosta de ser tratado, não oferecendo o que o cliente quer e procura, o tempo varre mesmo. Quem é nosso cliente sabe de todo o exposto acima, quem não é percebe logo de cara, deixamos transparecer, e gostamos de ser testados, isso aquece e nos afia todo dia, gostamos de ser testados pelos clientes e pela concorrência… Temos muitas bandas nacionais, e ainda temos bastante Zappa também, claro!

Fausto Mucin

Fausto Mucin Fausto Mucin é editor do Zine O Grito e das publicações nas redes sociais da Die Hard, selo independente e loja (lj 312) da Galeria do Rock. Fone (11) 3331-3978. http://www.diehard.com.br

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