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Mozart – O Réquiem

10
mar
Mozart - O Réquiem

Por Arya Medeiros

Wolfgang Amadeus Mozart, compositor austríaco do período clássico (1750 – 1820). Mesmo aqueles não versados em música já ouviram esse nome. Ele é familiar para qualquer pessoa,em qualquer lugar do mundo.

Sua última composição, que na verdade, de acordo com a história, sequer foi terminada pelo gênio, foi o Réquiem em Ré Menor (K 626), datado do ano de 1791 – ano da morte de Mozart.

Réquiem significa “descanso” em latim, e todos os Réquiens que foram compostos pelos mais diversos compositores eruditos são missas de morte – missa pro defunctis. Lacrimosa, um dos trechos mais conhecidos e utilizados pelo cinema, teatro e por músicos com frequência, é um trecho cheio de beleza, força, genialidade e, claro, mistério. Basta ouvir para se arrepiar, para ter a certeza de que algo maior do que tudo que conhecemos neste mundo existe. Dizem que quando nascemos e quando estamos no leito de morte a conexão com o plano espiritual se restabelece e somos capazes de acessar planos superiores…se for assim, mesmo sendo Mozart – o que é sinônimo de maestria por si só – podemos entender um pouco mais a força transmitida pela obra inteira quando a escutamos.

A peça, além de ser considerada um dos primores da música clássica e ter sido eternizada através dos séculos, traz em si uma história de mistério e drama, digna de um filme de suspense daqueles que lotam os cinemas.

O filme Amadeus – que deturpa a história da vida de Mozart – deturpou também a história da composição do Réquiem. A história verdadeira da peça musical é bem outra.

A origem da peça data de 1 ano antes da morte de Mozart, quando um conde austríaco de grandes posses resolve encomendar ao compositor um Réquiem, em homenagem ao primeiro aniversário da morte de sua jovem esposa. Estamos falando do casal Anna von Walsegg e seu esposo, o conde Franz von Walsegg. O pedido havia sido feito em segredo.

Ocorre que na época da encomenda, Mozart já estava gravemente doente, e os estudos mais seguros acerca da vida e obra do compositor apontam que ele não conseguiu terminar a partitura, eis que faleceu durante a composição. Contudo, a viúva de Mozart, necessitando do dinheiro que o Conde pagaria pela peça, pediu ao amigo e compositor Joseph Von Eybler que terminasse a partitura. Este, sentindo-se incapaz de terminar o trabalho, é substituído por Franz Xaver Sussmayr – ex-aluno de Mozart e Salieri – pedindo segredo a ele, pois já tinha convencido o conde de que a obra havia sido finalizada por Mozart antes de sua morte, tentando assegurar o recebimento do dinheiro para a viúva Constanze.

Contudo, acredita-se que muito pouco foi feito pelos outros compositores, e ainda assim, estes teriam trabalhado de acordo com as características mais importantes do estilo composicional de Mozart.

No século XIX a verdade vem à tona e traz a dúvida sobre a validade da peça no que tange a ser considerada uma composição Mozartiana. Porém, a peça acabou sendo publicamente interpretada nas homenagens feitas ao seu mestre logo após sua morte e mantém-se no rol das obras de um dos maiores gênios da música de todos os tempos.

Se a história do filme Amadeus ou se esses estudos estão certos, na verdade, não temos como saber. Porém, é interessante que a última composição de Mozart tenha sido uma missa de morte, e, mais intrigante ainda é o fato de que esta tenha sido composta pelo músico doente, que morreu no meio do processo composicional em questão! E todos nós, de fato, adoramos um suspense e uma história cheia de mistérios. Então, acabamos acreditando (grande parte das pessoas) na história de Salieri envenenando Mozart e da rivalidade entre eles – embora já se tenha provado que eles eram grandes amigos. A cena trágica apresentada no filme mostra Mozart morrendo em sua cama, com Salieri escrevendo trechos ditados pelo gênio, com aquela trilha sonora (o próprio Réquiem) ao fundo…!!!! Ai, que emoção!

Bibliografia:

Guia Ilustrado Zahar de Música Clássica – Ed. Zahar – 3ª edição – 2006

Music – The Definitive Visual History – www.dk.com

Arya Medeiros

Arya Medeiros Cantora lírica e regente. Líder e vocalista da Eve Desire, banda de heavy metal sinfônico. Regente do Coral Ever Dream. Integrante do CoralUSP, sob regência de Márcia Hentschel. Solista e concertista. Sócia-proprietária do Instituto Musical Ever Dream. http://www.aryamedeiros.com/

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