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O equilíbrio no uso de tecnologia musical

01
abr
O Equilíbrio no uso da Tecnologia

Por Wagner Cappia

Como tecladista, e como a grande maioria destes, tenho um contato constante e aprofundado com a tecnologia musical.

Tecnologia musical é tudo aquilo que envolve recursos eletrônicos de apoio ou complemento à execução musical. Como tudo em tecnologia, uma sopa de letrinhas, tais como MIDI, VST, DAW, ASIO, entre muitas outras que fazem parte deste universo.

O uso deste recurso é cada vez mais constante e podemos dizer que é até mesmo necessário hoje em dia. Mas eu ando observando alguns exageros neste uso. O mais gritante é a substituição de músicos por máquinas, criando uma “banda” mista, formada por humanos e máquinas. Apesar da sensação futurista que isso possa despertar, acredito que o uso de tecnologia precise passar por uma revisão e repensar seu lugar. Recentemente assisti a um show de uma grande banda de metal sinfônico. Claro, fui ver o (famoso) tecladista tocar. Não vi. O que vi foram poucas notas e acordes que nem tenho certeza que estavam sendo realmente executados por ele e uma base pré-gravada de violinos, coros, barulhinhos, percussão, e tudo o que se possa imaginar. Atrás do palco, um técnico auxiliando na execução disso tudo (espero que só auxiliando!).

Um dos fatores que cria esta situação ocorre quando uma banda entra em estúdio, com uma infinidade de recursos à disposição, e com a atual imensa facilidade de acesso e uso destes, é muito fácil para produtores e os próprios músicos serem seduzidos e fazerem uso disso em suas gravações e não raramente, passar do ponto. O que acontece é que quando a banda vai para o palco, ou mesmo quando começam a ensaiar, percebem que não conseguem soar como nas gravações. Assim, resolvem tocar junto com as bases pré-gravadas e por consequência, correm o enorme e comum risco de tornarem o som da banda mecânico. A banda deixa de tocar, para acompanhar uma gravação.

Em certas ocasiões e em uma medida razoável, adotar essas bases em determinados pontos seguramente funciona e causa uma ótima impressão no público, enriquece e cumpre o papel da tecnologia, complementa a execução musical.

A grande dica e conclusão é que a banda ou músicos precisam levar ao palco a execução humana de suas peças e utilizar a tecnologia (à vontade) como apoio e complemento e não como base de suas execuções.

Músico toca. Computador processa!


Wagner Cappia

Wagner Cappia Pianista e tecladista com formação erudita pelo Conservatório Dramático Musical de São Paulo inclusive. Compositor e produtor musical. Tecladista e líder da banda de Metal Sinfônico Eve Desire. Proprietário da escola de música Instituto Musical Ever Dream. Especialista em tecnologia musical. http://www.cappia.com.br

Comentários
  • ulisses dos reis disse:

    Achei muito interessante a abordagem, sou guitarrista e violonista, percebo que quando o tecladista usa recursos como sequencer, ninguem fala nada, mas quando uso sequencer tocando guitarra, sofro algumas críticas, mesmo que eu utilize uma base bem simples como
    baixo, bateria e cordas, apesar de usar guitarra e violao midi (godin).
    Mas pra falar verdade, levando-se em conta o valor que o músico tem na noite, é uma maneira de se ganhar um pouco mais, e ainda tem a questao do espaço fisico, que as vezes nao dá nem pra por uma bateria.
    Eu, apesar dos comentários, continuarei a utilizar, tanto que escolho músicas que tenham solo e violoes e guitarras bem destacados.
    Por outro lado, alguns que se acham \\"músicos\\" criticam por nao saberem usar os recursos pois nunca treinaram com metronomo. é isso aí, abraços

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